Residencia Médica em Cirurgia Torácica do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes
Imagem do Instituto de Higiene e Medicina Tropital da Universidade Nova de Lisboa

Cirurgia Torácica

A história da cirurgia torácica nasce entrelaçada a da tuberculose. A cirurgia torácica tem início na era antes dos medicamentos tuberculostáticos com o pneumotórax terapêutico e na colapsoterapia. O pneumotórax terapêutico proposto por James Carson em 1822 e muito difundido por Carlo Forlanini em 1882.

A especialidade

Após a a descoberta do Mycobacterium tuberculosis por Robert Koch em 1882 e logo em seguida do desenvolvimento da vacina para tuberculose com um bacilo atenuado por Camette e Guerin (o BCG – Bacilo de Calmette-Guerin). a historia da tuberculose começou a mudar, principalmente com a introdução da vacina em 1921. Mas a especialidade perdeu grande utilidade a partir da descoberta da estreptomicina por Waksman em 1943. Logo em seguida a isoniazida em 1950 e a rifampicina

https://doi.org/10.1590/S1676-24442009000400001

Surgimento

Sem data definida, talvez a data mais significativa para a cirurgia torácica seja 1846 com a demonstração da anestesia por Warren que junto com o dentista Thomas Green Morton, usaram éter para realizar uma cirurgia.

Hans Christian Jacobeus

Pai da toracoscopia. Ele, usando um cistoscópio, inciou a toracoscopia na intenção de incialmente liberação de aderências que impediam o pneumotórax terapêutico no tratamento da tuberculose. em 1910 seu artigo descre o uso do dispositivo na inspeção e intervenções nas cavidades serosas (pleura e peritôneo).

Hans Jacobeus - Pai da Toracoscopia

A toracoscopia moderna

Essa história começa a mudar em 1966 quando Charles Kuen Kao aperfeiçoa a fibra óptica e em 1969 quando Willard Sterling Boyle e George Elwood Smith criam o sensor de Dispositivo de Carga Aplicado – do inglês charge-coupled device ou conhecidamente, sensor de CCD. Juntos esses cientistas ganharam o prêmio Nobel de Física em 2009 por suas importantes contribuições. Suas invenções permitiram a criação dos aparelhos de videocirurgia conhecidos na atualidade. Em 1986 com o uso desses aparelhos, difunde-se os sistemas de vídeo cirurgia. A velocidade dos avanços dispara com essas invenções para transmissão da luz por fibra-ótica, a iluminação e as técnicas de processamento de imagem. Nos anos de 1960 a toracoscopia volta a ser usada com finalidades diagnósticas até que nos anos 1970 e 1980, com surgimento da luz fria e com a melhora das óticas a pleuroscopia avança rapidamente.

Outra contribuição importante foi a de Kurt Karl Stephan Semm, um cirurgião ginecológico alemão, que iniciou a experiência com a cirurgia abdominal minimamente invasiva nos anos de 1960. Ele foi muito criticado por seus colegas e foi até recomendado sua suspensão ética (BHATTACHARYA, 2007; VAN HEE, 2013). Durante sua vida desenvolveu equipamentos para cirurgia laparoscópica como insulflador, manipuladores uterinos, termocoaguladores e dispositivos para sutura intra e extracorporais, tendo escrito mais de 700 artigos e participado de pelo menos 1300 conferências (LITYNSKI, 1998). Foi Camran Hezhat, um iraniano, que mais tarde introduziu o uso dos monitores. Durante sua formação iniciou o uso do vídeo em laboratório e introduziu nos anos 1970 o uso da câmera e monitor, estando o cirurgião em pé olhando para o monitor e não mais para o paciente. Incialmente o método foi considerado perigoso e experimental (CARTER, 2006). Somente em 1986 é que surgem os sistemas de videocirurgia como conhecidos na atualidade.

A lobectomia Minimamente Invasiva

Os primeiros relatos de lobectomia pulmonar MI foram feitos nos anos 1990. Giancarlo Roviaro em 1992 que descreve uma lobectomia inferior direita que foi realizada com uso de câmera com chip através de uma pequena toracotomia infra mamária de 4 centímetros (cm). As estruturas hilares foram dissecadas e ligadas com uso de sutura mecânica por grampeador (ROVIARO et al., 1992). No mesmo ano, Ralph J. Lewis descreveu uma série de casos de cirurgia MI que incluíam três lobectomias (LEWIS et al., 1992). No seu relato Lewis e colaboradores realizaram a linfadenectomia mediastinal com grampeamento simultâneo do brônquio, arteria e veia pulmonares do lobo. Nos anos que se seguem ainda na década 1990 iniciam-se vários relatos pelo mundo de lobectomia MI (KIRBY et al., 1993; KASEDA et al., 1994; PROOT et al., 1996; STAMATIS e FECHNER, 1996; WALKER et al., 1996)